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Politica de Privacidade da SPD
| Custos com a Diabetes |
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O tema escolhido este ano para as comemorações do Dia Mundial da Diabetes foi "Os Custos da Diabetes". O número de pessoas portadoras da Diabetes está a aumentar de forma significativa em todo o mundo. Em 1985, estimava-se que 30 milhões de indivíduos eram diabéticos, Em 1995, 10 anos depois, este número disparou para 135 milhões e as previsões apontam o valor de 300 milhões de pessoas no ano 2025. Com a previsão de acréscimo da prevalência da Diabetes, os custos associados a esta patologia continuarão igualmente a aumentar, tendo implicações quer na vida dos indivíduos e das suas famílias, quer nos Sistemas de Saúde, nos Governos e na Sociedade, como um todo.
Muito poderá ser
feito para atenuar ou inverter esta tendência. Segundo a Federação
Internacional da Diabetes, a mudança só será conseguido através da
Prevenção em todos os níveis e a Prevenção significa intervenção já!
Mas, falar-se em Custos da Diabetes não é sinónimo de falar em Custos
de Saúde com a Diabetes, muito embora o peso dos custos da Diabetes no
total dos orçamentos da Saúde seja muito representativo. Com base num
estudo realizado em 1998, podemos verificar que, nos países
apresentados, a % de custos da saúde com a diabetes representa, em
média, a % do valor global do Orçamento da Saúde.
Nestas
estimativas considerou-se que a prevalência da Diabetes em cada um dos
países é de 6% e que os custos de cuidados associados a uma pessoa
portadora da diabetes é 2,5 vezes superior aos de uma pessoa sem
diabetes. Considerando o Orçamento da Saúde em Portugal para o ano de
1999, com base no valor apresentado no Orçamento do Estado, poderemos
estimar os Custos da Saúde com a Diabetes, este ano, em cerca de 102
milhões de contos.
Quando falamos de custos com a Diabetes, do que
é que estamos a falar? Falamos de Custos Directos para a pessoa
portadora da Diabetes e para a sua família; Custos Directos para os
Sistemas de Saúde; Custos Indirectos para a Sociedade e Custos
Intangíveis.
Custos Directos para a pessoa e família - As pessoas
portadoras da Diabetes assumem parte ou a totalidade dos custos de
cuidados médicos, custos com medicamentos, insulina ou outros produtos,
por exemplo as tiras-teste. Assumem ainda encargos com Seguros de
Saúde, Automóvel ou de Vida e, potencialmente perdem rendimentos
obtidos através do seu trabalho, por perda de produtividade. Custos Directos para os Sistemas de Saúde
Os custos directos do Sistema de Saúde são vários: custos com as
consultas de cuidados primários, consultas especializadas, internamente
hospitalar, atendimentos na urgencia, em virtude de descompensações da
diabetes, medicamentos, tiras-teste, seringas, agulhas e lancetas,
ajudas técnicas, nomeadamente custos com próteses em virtude de
amputações e custos com meios complementares de diagnóstico e
terapêutica. Neste caso, estamos a considerar os custos mais
significativos: custos com hemodiálise, na sequência de insuficiência
renal crónica; custos com a patologia clínica e custos com tratamentos
de fotocoagulação para doentes com retinopatia diabética.
São ainda
custos directos do Sistema de Saúde, os custos com a prevenção: acções
de educação e promoção da saúde, rastreios e educação terapêutica.
Estando os custos identificados, como vamos quantificar esses mesmos custos? Existem custos de difícil quantificação: custos da diabetes associados a complicações, sendo que são dos mais significativos. Os atendimentos urgentes por motivo directamente relacionado com a Diabetes representam igualmente um custo só possível de quantificar analisando os processos de admissão na urgência. Mesmo o custo associado às consultas realizadas não é facilmente quantificável, visto estas consultas estarem dispersas nas consultas de Medicina Interna, Endocrinologia, Nefrologia e Oftalmologia, muito embora existam algumas consultas de Diabetes autonomizadas. Existem contudo, custos quantificáveis. Em termos do internamento hospitalar, em 1998, e partindo da análise dos episódios de internamento cujo diagnóstico principal está associado à Diabetes, temos 10.538 casos com 146.631 dias de internamento. O cálculo do custo associado a estes episódios foi apurado considerando o preço da tabela de GDH's de 1998, multiplicando directamente o número de casos de cada GDH com o preço da tabela. Não foram aqui considerados os efeitos relativos a episódios de internamente cuja demora média está fora dos limiares apresentados em cada GDH. Assim o custo estimado do internamente foi, em 1998, de 4 milhões, quatrocentos e quarenta mil contos. Este número, por tudo o que atrás foi exposto, está muito subavaliado. No que respeita aos medicamentos, partindo das vendas efectuadas pelas farmácias em 1998, temos o valor de 2 milhões de contos com insulina e 3 milhões e 700 mil contos associados aos antidiabéticos orais. Para 1999, foi feita uma extrapolação das vendas com base nos dados dos três primeiros trimestres. Com base na informação sobre a facturação dos medicamentos prescritos em ambulatório em 1998, cedida pelo IGIF, os gastos com insulina em 1998 foram de 2 milhões, trezentos e cinquenta e seis mil contos. O valor da facturação dos antidiabéticos orais ascende a 4 milhões, cento e setenta e oito mil contos. A divergência encontrada entre a facturação e as vendas derivam do processo de apuramento destes valores e no possível atraso de emissão de facturas.
Conhece-se igualmente o valor gasto com hemodiálise realizada em
ambulatório. Em 1998, segundo dados igualmente cedidos pelo IGIF, o
total apurado é de cerca de 13 milhões e duzentos mil contos. Se
considerarmos que 30% deste valor respeita aos tratamentos de
insuficiência renal crónica de indivíduos portadores da diabetes,
apuramos um custo de 4 milhões de contos.
Se somarmos apenas os três itens já referidos: internamente, medicamentos e hemodiálise, temos em 1998 um valor de 15 milhões de contos aproximadamente. Este montante representa 14,7% dos 102 milhões de contos estimados para os custos directos do Sistema de Saúde com a Diabetes em 1999. Chegamos pois á conclusão que não conhecemos os custos da saúde com a diabetes, nem tão pouco os custos da diabetes. Em jeito de conclusão, se é que é possível tirar conclusões, torna-se necessário um aperfeiçoamento dos sistemas de informação que permitam sistematizar informação sobre a diabetes e os custos associados. Só assim é possível dispormos de informação que nos permita decidir quais as estratégias a seguir.
Por outro lado, é necessário avaliar os cuidados prestados.
A articulação entre todos os intervenientes é fundamental, colocando o
centro de todo o processo no cidadão, visto ser para ele que todos
trabalhamos. E, muito importante, é necessário que apostemos na
prevenção, prevenção que significa intervenção já.
Drª Maria de Lurdes Nogueira Boletim nº4 Editorial | Dia mundial da Diabetes | Custos com a Diabetes | Custos para a Sociedade por perda de Produção | Qualidade de Vida e Diabetes |
