Custos Para a Sociedade por Perda de Produção

Como todos os anos celebra-se a 14 de Novembro o Dia Mundial da Diabetes. O tema que a Federação Internacional da Diabetes (IDF) propôs para ser discutido foi "Os custos da diabetes" ("The Costs of Diabetes"). Em 1996 a IDF ("International Diabetes Federation¯) formou a "Task Force on Diabetes Health Economicy" (A força de intervenção dos aspectos económicos da saúde com a diabetes) com, entre outros fins, publicar os phpectos mais importantes do problema para levar a melhor informação a quem está envolvido nos problemas da diabetes. A Federação tem assim publicado vários trabalhos que têm sido largamente distribuídos pelas autoridades de saúde dos diferentes países e por todos os que estão relacionados com a doença.

"Os custos da diabetes" tem várias interpretações possíveis:

1 - Custos financeiros das pessoas com diabetes e suas famílias - quando os doentes a as suas famílias têm que pagar pela sua assistência o problema pode-se tornar economicamente dramático para os que menos podem suportar esses encargos.
2 - Custos directos dos sistemas de saúde - serviços hospitalares, serviços médicos, laboratórios, fármacos e equipamento médico. Estes custos tornam-se particularmente elevados quando dos internamentos hospitalares para tratamento das complicações da diabetes.
3 - Custos para a sociedade por perda de produção - toda a sociedade sofre quando algum dos seus membros não pode ser tão produtivo quanto o devia ser. Perdas de horas de trabalho, invalidez e mortes prematuras podem resultar das complicações da diabetes.
4 - Outros custos não contabilizados - stress, sofrimento, ansiedade e toda uma outra série de reacções emocionais que podem acompanhar o diagnóstico de diabetes já no plano individual, já dos familiares e dos amigos.

O tema deste ano é particularmente útil pois com a viragem do milénio sabe-se que o número de pessoas com diabetes vai aumentar de modo significativo. Para além dos factores hereditários, o estilo de vida traduzido em cada vez uma alimentação mais errada, grande sedentarismo, stress, dificuldades em se conseguirem empregos, etc. etc., tudo contribui para esse aumento.

Quando a doença ainda não tem complicações os custos do seu tratamento e outras implicações pessoais e sociais não atingem o dramatismo que se cria quando surgem as complicações.
A doença é particularmente traiçoeira pois para que surjam as complicações são necessários muitos anos de mau controlo metabólico.

A prevenção das complicações com um tratamento cuidadosamente bem dirigido e aceite, representa a chave do problema se querem evitar custos desnecessários de toda a ordem.
Os países têm que ter bons sistemas de saúde em que o problema da diabetes esteja devidamente integrado. No nosso país existe o "Programa de Controlo da Diabetes Mellitus" com envolvimento de todos os profissionais de saúde e que conseguiu melhorar de forma substancial o panorama da diabetes. Há, ainda, algumas assimetrias de vários tipos, mas a pouco e pouco os problemas estão a ser resolvidos.


Dr. M. M. A. Ruas