A Carregar... Espere Por Favor...

Relatório de Actividade

Ano 2009/2010

RELATORIO de ACTIVIDADES da SOCIEDADE PORTUGUESA de DIABETOLOGIA no ano 2009/2010


Ler mais...
 

SPD

Newsletter

Caro sócio:
Caso deseje receber a nossa Newsletter via e-mail, por favor preencha os dados seguintes com atenção.

Procedimento:
Preencha correctamente os dados e carregue uma vez em “enviar”.Os seus dados serão posteriormente actualizados na SPD.
Nome
Nome Clínico
E-Mail
Entrada seta Revistas (RPD) seta Boletim nº5 seta Diabetes Mellitus - Efeitos terapéuticos e
perniciosos de actividade física
Efeitos terapêuticos e perniciosos de actividade física
Há uns milhares de anos atrás, o meio ambiente era extremamente desfavorável para o Homem. Para além da capacidade intelectual para resolver algumas das situações adversas, sua sobrevivência, como para qualquer outro animal, estava fortemente dependente da sua aptidão física. Apenas aqueles com maior capacidade física defendiam melhor os seus territórios e andavam ou corriam maiores distâncias, decisivas não só para caça e defesa pessoal, mas também, mais tarde, para agricultura. À semelhança do coração, dos pulmões, dos rins e do cérebro, também actividade muscular esquelética condicionava, nessa época, sobrevivência do indivíduo. 

No entanto, durante sua evolução, particularmente neste último século, houve uma crescente preocupação da espécie humana na tentativa de suavizar agressividade do meio circundante, tornando o dia-a-dia mais acessível, mais cómodo, e com menores riscos para sua existência. Se actividade física diária era, de início, decisiva para sobreviver, com evolução tecnológica e organização social ocorridas nas últimas décadas, foi-se tornando cada vez mais supérflua. Para além de um pequeno número de músculos esqueléticos, nos quais se incluem os responsáveis pela ventilação, mastigação e deglutição, os restantes, foram deixando, progressivamente, de ser determinantes para vida do indivíduo, desconsiderando-se, assim, todo um sistema muscular esquelético que, durante sua longa evolução filogenética, em situações ambientais selvagens e adversas, estava, em termos de importância, ao mesmo nível dos órgãos, hoje em dia, considerados vitais.

No entanto, contracção muscular esquelética, pelas alterações neurológicas, hormonais e metabólicas que lhe estão associadas, influencia, directa e indirectamente, do ponto de vista agudo e crónico, funcionalidade dos demais órgãos e sistemas corporais. De forma inversa, também estes órgãos e sistemas condicionam fortemente funcionalidade muscular esquelética. inter-relação é, por demais, evidente. Deste modo, na espécie humana, filogeneticamente preparada para o exercício físico rotineiro, torna-se impossível reduzir actividade muscular esquelética sem induzir quaisquer repercussões nefastas na homeostasia orgânica dos sujeitos.

De facto, Natureza não deixou ficar impune esta evolução demasiado rápida, de apenas algumas dezenas de anos, e artificial, executada pela mão do próprio Homem. Com instalação progressiva do sedentarismo, foi-se manifestando uma maior predisposição da espécie humana para um conjunto de doenças, de natureza metabólica, endócrina e degenerativa, nas quais se incluem, entre outras, obesidade e diabetes Mellitus, particularmente do tipo 2. Apesar do aumento da esperança média de vida poder explicar, parcialmente, o incremento da sua prevalência, é sobretudo o estilo de vida dos sujeitos, especialmente inactividade física e os erros dietéticos, que condiciona de forma decisiva não só as suas incidência e prevalência mas também intensidade com que aquelas doenças se manifestam. Deste modo, actividade física regular e dieta passaram constituir os principais pilares terapêuticos da diabetes mellitus do tipo 2. Sendo fundamentais para um controlo glicémico eficaz, aliviam frequentemente os doentes de uma terapia medicamentosa. Neste tipo de doentes, para além de aumentar sensibilidade à insulina, prática regular de uma actividade física tende também aumentar sua capacidade de trabalho e sua auto-estima. Como se isto não bastasse, actividade física possui ainda repercussões benéficas sobre algumas anomalias orgânicas, funcionais e metabólicas, que normalmente acompanham diabetes Mellitus do tipo 2, de que são exemplos hipertensão arterial e obesidade.

No que diz respeito à influência da actividade física regular no controlo glicémico nos diabéticos do tipo 1, os resultados da literatura nem sempre foram os mais encorajadores. De facto, cedo se observou que esta prática, em doentes descompensados e já com evidentes repercussões degenerativas vasculares, neurológicas e/ou renais, induzia, com alguma frequência, efeitos colaterais indesejáveis, colocando mesmo em risco vida dos sujeitos. Como tal, na diabetes Mellitus do tipo 1, actividade física utilizada com fins terapêuticos, para controlo de glicemia, rapidamente foi abandonada. Contudo, um facto foi-se tornando evidente: entre os indivíduos compensados, os fisicamente activos, comparativamente aos inactivos, possuem uma menor incidência de complicações degenerativas da doença e possuem, aparentemente, uma melhor qualidade de vida. Assim, prática condicionada de uma actividade física regular, particularmente natação e o ciclismo, está perfeitamente indicada nos diabéticos do tipo 1 controlados medicamente.

Independentemente das suas indicações, e dos seus possíveis efeitos colaterais perniciosos principalmente observados nos diabéticos do tipo 1 descompensados, o mais importante será realçar que o efeito preventivo da actividade física regular, executado ao longo da vida do indivíduo, particularmente nas idades jovens, é francamente mais potente do que o seu efeito terapêutico. consciencialização social deste facto deverá ser uma das principais armas utilizadas na prevenção não só da diabetes mellitus do tipo 2 mas também de outras patologias e doenças intimamente associadas ao sedentarismo.

 

 José Alberto Ramos Duarte*

 * Gabinete de Biologia do Desporto, Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto

 

 
© 2010 Sociedade Portuguesa de Diabetologia
Desenvolvido por Evolute