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A Federação Internacional da Diabetes elege como
tema deste Dia Mundial da Diabetes exigência humana e social
de reencontrar no novo milénio, um estilo sadio de vida.
E porquê?
É muitíssimo preocupante acelerada multiplicação
da diabetes. Calculava-se haver 30 milhões de diabéticos
em 1985; em 1998 já eram 143 milhões, ou seja, no
curto intervalo de 13 anos quantidade de doentes quase quintuplicou.
E se "tudo correr bem", quer dizer, se as autoridades
sanitárias e as forças sociais adoptarem com brevidade
e eficácia um lote adequado de medidas, talvez em 2025 os
diabéticos não sejam mais de 300 milhões.
Viver mais anos conta alguma coisa para esta prevalência acrescentada.
Mas questão central reside na propagação de
produtos e de práticas alimentares desajustados às
necessidades humanas, na multiplicação do número
de gordos e no aumento do peso médio das pessoas, e no dia
dia extraordinariamente sedentário, consequências das
novas profissões, do transporte mecanizado e dos lazeres
preferidos hoje (entre eles, apodrecer diante do televisor).
Estilo de vida e alimentação estão piorar em
todo o Mundo. Enquanto o sentido da evolução por este,
mais precoce, vulgar grave e atreita complicações
será diabetes. É imperioso passar à acção.
Federação Internacional da Diabetes propõe
o ensino da vida sadia e criação de condições
que possibilitem, divulgação consistente de conhecimento
acerca da doença, e viabilização de meios que
propiciem um viver mais activo (caminhar dentro da cidade com segurança
e comodidade é primeira medida) como intervenções
úteis para abrandar epidemia diabética.
Todos os cidadãos precisam de saber.
Foi já nos anos 70 que algumas organizações
educacionais não governamentais, sociedades científicas
e sanitárias, alguns sectores públicos e numerosas
associações populares juntaram esforços para
divulgar três ideias chave:
- Escolher equilibradamente alimentos (a Roda dos Alimentos portuguesa
nasce em sintonia com esses movimentos);
- Não se deixar engordar;
- Trocar o transporte mecanizado por deslocações pé
e adoptar hábitos de exercitação muscular regular.
Apesar da relativa raridade da obesidade e da diabetes nesse início
dos anos 70, excepto em alguns países mais ocidentalizados,
os cientistas estavam muito conscientes do perigo de disseminação
destas duas doenças e do previsível aumento explosivo
de casos de enfarte e outras formas de aterosclerose, de cancros
e, no geral, de todas as patologias complicantes de obesidade e
da diabetes de tipo 2.
No entretanto, até hoje, no Ocidente, os governos nunca se
puseram abertamente ao lado dos movimentos científicos e
sociais empenhados na promoção da saúde. Em
nenhum país ocidental funciona qualquer programa educacional
para alimentação e saúde; vistosos, mediáticos
e ineficazes fogachos sensibilizantes não o desmentem. Faltam
também medidas coordenadas para facilitar actividade muscular
e promover vida ao ar livre: espaços na cidade para lazeres
mexidos; passeios para peões sem buracos e sem automóveis
atravancá-los; corredores para bicicletas, segurança
pessoal, horários laborais fisiológicos, adequação
urbanística para desejar e fruir rua, menos gazes de escape,
etc.
Tudo se passa como se as autoridades preferissem barafustar contra
as avultadas despesas com doença e reabilitação,
e contra médicos e profissionais de saúde, em vez
de apostarem forte na prevenção da doença e,
antes disso, na promoção da saúde.
O blá-blá europeu deste último ano em torno
da chamada "segurança alimentar" tem ver, no fundamental,
com criação de medidas para limitar os azares resultantes
de dramáticas rupturas ecológicas (vacas loucas, dioxinas,
pesticidas, radiações, bactérias super tóxicas,
etc.) porque elas entravam livre circulação de produtos
e "paz" comercial. Em oposição, nem Comissão
Europeia, nem um único governo de país comunitário,
aceitou até hoje necessidade de definir legalmente o que
é um produto alimentar industrializado adequado para nutrição
humana, ou seja, qual composição e quais os métodos
de processamento e conservação que incompatibilizam
o produto com capacidade fisiológica de o aceitar e metabolizar
sem danos. Entretanto, multiplicam-se os alimentos-lixo.
O que dizem os especialistas?
Dizem o mesmo de outra maneira: da que resulta de verem o problema
partir do conhecimento dos doentes e da doença.
Concordam unanimemente que diabetes tipo 2 resulta, no fundamental,
do efeito conjugado de sedentarismo e excesso de peso em pessoas
geneticamente susceptíveis. O efeito conjugado da genética
com várias concausas ambientes, é responsável
pela progressiva resistência celular à acção
da insulina.
Com o passar dos anos, esta resistência soma-se à insuficiente
produção de insulina e hiperglicemia acaba por se
tornar permanente; diabetes fica instalada. Ora, o modo mais eficaz
de impedir e, depois tratar resistência celular à insulina
é conjugar exercício com acerto do peso.
Dêem as voltas que derem, o flagelo da diabetes não
diminuirá enquanto as sociedades ocidentalizadas não
permitirem adoptar novos estilos sadios de vida. Não há
milagres, nem futebol, nem sensacionais notícias acerca de
tratamentos fantásticos, que diminuam epidemia diabética,
enquanto não se compreender que criar condições
saudáveis de vida e educar para saúde, apesar do baixo
custo, simplicidade e modéstia mediativa, é determinante
do tipo de futuro que estamos agora construir. E falar de diabetes
é o mesmo que falar de todas as doenças "modernas".
Podemos enfraquecer epidemia diabética; podemos desfrutar
de mais saúde; podemos gastar menos e sofrer menos com doença.
Devemos trabalhar para que isso aconteça.
Emílio Peres
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