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Relatório de Actividade

Ano 2009/2010

RELATORIO de ACTIVIDADES da SOCIEDADE PORTUGUESA de DIABETOLOGIA no ano 2009/2010


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O 14 de Novembro deste ano

A Federação Internacional da Diabetes elege como tema deste Dia Mundial da Diabetes exigência humana e social de reencontrar no novo milénio, um estilo sadio de vida. E porquê?
É muitíssimo preocupante acelerada multiplicação da diabetes. Calculava-se haver 30 milhões de diabéticos em 1985; em 1998 já eram 143 milhões, ou seja, no curto intervalo de 13 anos quantidade de doentes quase quintuplicou. E se "tudo correr bem", quer dizer, se as autoridades sanitárias e as forças sociais adoptarem com brevidade e eficácia um lote adequado de medidas, talvez em 2025 os diabéticos não sejam mais de 300 milhões.

Viver mais anos conta alguma coisa para esta prevalência acrescentada. Mas questão central reside na propagação de produtos e de práticas alimentares desajustados às necessidades humanas, na multiplicação do número de gordos e no aumento do peso médio das pessoas, e no dia dia extraordinariamente sedentário, consequências das novas profissões, do transporte mecanizado e dos lazeres preferidos hoje (entre eles, apodrecer diante do televisor).
Estilo de vida e alimentação estão piorar em todo o Mundo. Enquanto o sentido da evolução por este, mais precoce, vulgar grave e atreita complicações será diabetes. É imperioso passar à acção. Federação Internacional da Diabetes propõe o ensino da vida sadia e criação de condições que possibilitem, divulgação consistente de conhecimento acerca da doença, e viabilização de meios que propiciem um viver mais activo (caminhar dentro da cidade com segurança e comodidade é primeira medida) como intervenções úteis para abrandar epidemia diabética.
Todos os cidadãos precisam de saber.

Foi já nos anos 70 que algumas organizações educacionais não governamentais, sociedades científicas e sanitárias, alguns sectores públicos e numerosas associações populares juntaram esforços para divulgar três ideias chave:
- Escolher equilibradamente alimentos (a Roda dos Alimentos portuguesa nasce em sintonia com esses movimentos);
- Não se deixar engordar;
- Trocar o transporte mecanizado por deslocações pé e adoptar hábitos de exercitação muscular regular.
Apesar da relativa raridade da obesidade e da diabetes nesse início dos anos 70, excepto em alguns países mais ocidentalizados, os cientistas estavam muito conscientes do perigo de disseminação destas duas doenças e do previsível aumento explosivo de casos de enfarte e outras formas de aterosclerose, de cancros e, no geral, de todas as patologias complicantes de obesidade e da diabetes de tipo 2.

No entretanto, até hoje, no Ocidente, os governos nunca se puseram abertamente ao lado dos movimentos científicos e sociais empenhados na promoção da saúde. Em nenhum país ocidental funciona qualquer programa educacional para alimentação e saúde; vistosos, mediáticos e ineficazes fogachos sensibilizantes não o desmentem. Faltam também medidas coordenadas para facilitar actividade muscular e promover vida ao ar livre: espaços na cidade para lazeres mexidos; passeios para peões sem buracos e sem automóveis atravancá-los; corredores para bicicletas, segurança pessoal, horários laborais fisiológicos, adequação urbanística para desejar e fruir rua, menos gazes de escape, etc.
Tudo se passa como se as autoridades preferissem barafustar contra as avultadas despesas com doença e reabilitação, e contra médicos e profissionais de saúde, em vez de apostarem forte na prevenção da doença e, antes disso, na promoção da saúde.

O blá-blá europeu deste último ano em torno da chamada "segurança alimentar" tem ver, no fundamental, com criação de medidas para limitar os azares resultantes de dramáticas rupturas ecológicas (vacas loucas, dioxinas, pesticidas, radiações, bactérias super tóxicas, etc.) porque elas entravam livre circulação de produtos e "paz" comercial. Em oposição, nem Comissão Europeia, nem um único governo de país comunitário, aceitou até hoje necessidade de definir legalmente o que é um produto alimentar industrializado adequado para nutrição humana, ou seja, qual composição e quais os métodos de processamento e conservação que incompatibilizam o produto com capacidade fisiológica de o aceitar e metabolizar sem danos. Entretanto, multiplicam-se os alimentos-lixo.
O que dizem os especialistas?
Dizem o mesmo de outra maneira: da que resulta de verem o problema partir do conhecimento dos doentes e da doença.

Concordam unanimemente que diabetes tipo 2 resulta, no fundamental, do efeito conjugado de sedentarismo e excesso de peso em pessoas geneticamente susceptíveis. O efeito conjugado da genética com várias concausas ambientes, é responsável pela progressiva resistência celular à acção da insulina.
Com o passar dos anos, esta resistência soma-se à insuficiente produção de insulina e hiperglicemia acaba por se tornar permanente; diabetes fica instalada. Ora, o modo mais eficaz de impedir e, depois tratar resistência celular à insulina é conjugar exercício com acerto do peso.

Dêem as voltas que derem, o flagelo da diabetes não diminuirá enquanto as sociedades ocidentalizadas não permitirem adoptar novos estilos sadios de vida. Não há milagres, nem futebol, nem sensacionais notícias acerca de tratamentos fantásticos, que diminuam epidemia diabética, enquanto não se compreender que criar condições saudáveis de vida e educar para saúde, apesar do baixo custo, simplicidade e modéstia mediativa, é determinante do tipo de futuro que estamos agora construir. E falar de diabetes é o mesmo que falar de todas as doenças "modernas".
Podemos enfraquecer epidemia diabética; podemos desfrutar de mais saúde; podemos gastar menos e sofrer menos com doença.
Devemos trabalhar para que isso aconteça.

Emílio Peres

 
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