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O Dia Mundial que hoje comemoramos, no limiar do século
XXI, tem como tema em todo o mundo "Diabetes e Estilo de Vida
no Novo Milénio". As medidas recomendadas para um combate
eficaz à Diabetes e suas complicações vêm
referidas em todos os documentos e cartazes editados pela IDF e
são em síntese as seguintes: mudança de estilo
de vida, combate ao stress, prática de exercício físico
regular, alimentação equilibrada, controlo periódico
do peso, combate ao sedentarismo e à obesidade, vigilância
médica regular, educação da comunidade e das
pessoas com diabetes para uma prevenção eficaz da
doença e suas complicações. Já hoje
aqui ouvimos falar de praticamente tudo isto. Se as sociedades,
as regiões, os países, os Estados e os seus responsáveis
não forem capazes de entenderem importância destas
medidas, por forma implementá-las, Diabetes e as suas complicações
continuarão atingir cada vez mais pessoas,com prejuízos
incalculáveis para os cidadãos e para as sociedades.
Temos de ser no entanto realistas. Nos Estados Unidos da América,
um em cada dois cidadãos é obeso. Ora uma sociedade
em que metade da sua população é obesa não
é seguramente uma sociedade saudável. obesidade é
antecâmara da diabetes, da hipertensão e de outras
doenças. Se falo nos E.U.A, é porque este país
é actualmente única grande potência mundial.
Por outro lado, os meios de comunicação social transformaram
o planeta numa aldeia global. O estilo de vida americano - the american
way of life - é cada vez mais um modelo para o resto do mundo.
As modificações de estilo de vida pugnadas pela IDF
para o final do milénio podem ficar pelos cartazes, ou, como
se diz na nossa terra, podem ficar no tinteiro, se essas modificações
não se verificarem também e em primeiro lugar do outro
lado do Atlântico, no coração da chamada civilização
ocidental, primeira responsável pelo estilo de vida que queremos
agora combater e modificar. E Diabetes continuará atingir
cada vez mais pessoas. Esta primeira ideia que gostaria de deixar
aqui. No entanto esta opinião não invalida que cada
povo, cada país, cada Estado, faça tudo o que estiver
ao seu alcance para levar à prática as directrizes
apontadas pela IDF.
Pela nossa parte, e esta é segunda ideia, como Presidente
da mais antiga Associação de Diabéticos do
mundo, decana da IDF, vamos continuar o trabalho iniciado há
mais de 74 anos, e que sempre se pautou pelas orientações
emanadas da IDF, antecipando-se mesmo esta organização,
uma vez que esta quando se fundou já nós tínhamos
24 anos de vida e de experiência. E é com profundo
orgulho que posso aqui anunciar-vos que estamos neste momento melhor
apetrechados do que nunca para levar por diante os objectivos que
presidiram à sua fundação, e posteriormente
desenvolvidos. Permitam-me que transcreva parte de um artigo que
escrevi convite do "Editorial Board" da Revista da IDF
"Diabetes Voice", para o número comemorativo do
seu cinquentenário, há poucos dias dado à estampa:
"Hoje, Associação Protectora dos Diabéticos
de Portugal é simultânemente uma associação
de diabéticos e uma clínica prestadora de cuidados
médicos. Ou seja, Associação possui uma clínica
que não só presta cuidados diferenciados e integrados
cerca de 34.000 pessoas com diabetes inscritos na nossa base de
dados,em coordenação com o Serviço Nacional
de Saúde, no qual está integrado, como também
é principal fonte financiadora das actividades associativas,
sociais e educativas da Instituição".
Este modelo
original, no qual trabalham diariamente cerca de 100 pessoas e que
inaugurou recentemente novas instalações, numa cerimónia
que contou com presença da Presidente da IDF, Maria L. de
Alva, irá prosseguir sem desfalecimentos nem quebras de entusiasmo
o seu trabalho insubstituível de luta contra Diabetes e pela
plena integração das pessoas com diabetes na sociedade
portuguesa. Quando no próximo ano comemorarmos as bodas de
platina, estamos em condições de fortalecer também
nossa posição no Conselho Geral da IDF, uma vez que
o número de sócios que atingiremos nessa data irá
possibilitar indicação de mais um delegado da APDP
juntar aos dois que Portugal possui neste momento - um da APDP e
outro representativo da SPD. Será uma excelente maneira de
comemorarmos, juntamente com outras iniciativas, passagem das "bodas
de platina" da mais antiga Associação de Diabéticos
do mundo. Queremos também daqui saudar o movimento associativo
que um pouco por todo o lado se vê despontar no país,
e dizer-lhe que poderá sempre contar com nossa experiência,
nossa solidariedade e nossa ajuda. Nem poderia ser de outra maneira,
pois só juntos somos mais fortes.
António Silva Graça *
* Presidente da Associação Protectora
dos Diabéticos de Portugal.
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