A Carregar... Espere Por Favor...

Relatório de Actividade

Ano 2009/2010

RELATORIO de ACTIVIDADES da SOCIEDADE PORTUGUESA de DIABETOLOGIA no ano 2009/2010


Ler mais...
 

SPD

Newsletter

Caro sócio:
Caso deseje receber a nossa Newsletter via e-mail, por favor preencha os dados seguintes com atenção.

Procedimento:
Preencha correctamente os dados e carregue uma vez em “enviar”.Os seus dados serão posteriormente actualizados na SPD.
Nome
Nome Clínico
E-Mail
Entrada seta Revistas (RPD) seta Boletim nº5 seta O Estado e Diabetes
O Estado e Diabetes

Existem hoje no Mundo cerca de 140 milhões de diabéticos diagnosticados e estima-se que nas próximas duas décadas esse número duplique. diabetes é uma das principais causas, senão principal, de doença cardiovascular, além das graves complicações micro vasculares que provoca, podendo conduzir à cegueira e à insuficiência renal.
O aumento epidémico desta doença e as suas sérias consequências permitem-nos compreender por que razão, em todo o Mundo, políticos responsáveis, tanto na área da Saúde como em outras áreas sensíveis (Economia, Educação, Assuntos Sociais), se vêm debruçando sobre o problema com preocupação cada vez maior. Não é por acaso que personalidades do peso do Presidente Clinton mencionaram já, por várias vezes, sua inquietação perante gravidade do problema da diabetes. Todos sabem que além dos aspectos de Saúde Pública, os diabéticos constituirão em breve, pelo seu número, um grupo de pressão extremamente poderoso em termos políticos.
Em Portugal sabemos que o número de diabéticos ronda o meio milhão, isto é, 5% da população Portuguesa. São mais numerosos do que população de muitos distritos do Continente e do que de qualquer das regiões autónomas. Não esqueçamos, além disso, que os problemas dos diabéticos afectam também, profundamente, as suas famílias e que um quinto das famílias portuguesas tem um membro diabético.

Trata-se pois de uma situação que ultrapassa muito o âmbito estrito da Saúde, para se converter num problema nacional, até por que implica medidas de prevenção estreitamente relacionadas com phpectos educativos, de estilo de vida, de orientação dos consumos, etc., que excedem muito as possibilidades de intervenção médica ou mesmo dos agentes de saúde, num sentido mais lato.
Mas, mesmo restringindo-nos apenas aos aspectos de saúde, Diabetes deve constituir uma das maiores preocupações de qualquer governo. Está hoje cientificamente comprovado, que única maneira de evitar as terríveis consequências da doença, consiste em atingir um grau rigoroso de controlo metabólico e tensional. Esse controlo não é fácil de conseguir e sobretudo de manter ano após ano, quer para o diabético, quer para equipa de saúde. Sabe-se que há uma tendência uma progressiva deterioração, que tem de ser permanentemente combatida através de adaptações e modificações terapêuticas.

A esperança de vida dos diabéticos tem vindo, felizmente, aumentar com razoável rapidez, e diabetes tipo 2, da maturidade, surge cada vez numa idade mais precoce. Estes dois factos levam que as pessoas vivam cada vez mais anos com sua diabetes e, como ficou dito, o controlo tende tornar-se mais difícil com maior duração da doença. Para conseguir atingi-lo é necessário facilitar todos os diabéticos uma formação adequada e intensiva, que lhes permita, cada momento, saber quais as medidas que devem tomar para conciliar uma vida normal e agradável com uma perfeita compensação. importância das modificações do estilo de vida é essencial, sendo o tema proposto pela IDF para este Dia Mundial da Diabetes.

Também com formação do pessoal de saúde o Estado tem de se preocupar. diabetes é uma doença complexa, que sob uma aparência de simplicidade, é muito difícil de tratar correctamente, requerendo uma excelente formação e uma permanente actualização, difíceis de atingir por técnicos que não estejam predominantemente vocacionados para diabetes. Se o Estado quiser de facto promover o bom controlo dos diabéticos, evitando num futuro próximo uma epidemia de complicações vasculares de proporções catastróficas, terá que investir convictamente na formação dos agentes de saúde que cuidam dos diabéticos.

Pensamos que existem no nosso País especialistas em número suficiente e altamente treinados, para poderem ministrar essa formação. Estamos convictos que todos esses especialistas, conscientes da gravidade do problema, estão prontos organizar-se para transmitirem os seus conhecimentos e sua experiência aos técnicos de saúde que fazem o acompanhamento dos diabéticos no dia dia, mas terá que ser o Estado apoiar essas acções de formação.
Sendo diabetes uma doença que atinge todos os aparelhos e sistemas do organismo, e portanto multidiciplinar, e que necessita também da intensa colaboração de técnicos para-médicos (enfermeiros, dietistas, quiropodistas, psicólogos, assistentes sociais, etc.) é essencial que o Estado promova uma maior coordenação e interacção entre os diferentes níveis de cuidados de Saúde. Tem-se verificado nas últimas décadas um progressivo divórcio entre os cuidados primários e os cuidados diferenciados de Saúde, que tem sido trágico para o acompanhamento dos doentes crónicos e nomeadamente para os diabéticos.

Estes doentes necessitam permanentemente de um bom seguimento nível local, pelos seus médicos de família e paralelamente de um acesso rápido e fácil aos cuidados especializados, que qualquer momento podem ser necessários. Isto só se consegue implementando uma coordenação e colaboração muito mais estreitas entre os cuidados primários e os cuidados diferenciados, aquilo que os anglosaxónicos chamam cuidados partilhados (shared care).

Outro aspecto em que o papel do Estado é vital é na colheita de dados epidemiológicos que permitam fazer uma avaliação correcta da situação, sem qual não é possível planear medidas de combate à verdadeira expansão epidémica da diabetes e das suas complicações, que presentemente se verifica. introdução do Guia do Diabético poderá, neste aspecto, trazer grandes avanços e é essencial motivar todo o pessoal de saúde para o seu correcto preenchimento. Poderá partir dele criar-se um embrião de um registo nacional de diabéticos. Finalmente, um problema que, cada vez mais, se tem vindo pôr, sobretudo nos Países mais avançados é o do rastreio da diabetes tipo 2. Quando se faz o diagnóstico desta situação já é frequente haver complicações micro ou macrovasculares em estadios iniciais. Sabe-se hoje que os riscos vasculares provocados pelo aumento da glicémia ou da tensão arterial crescem num contínuo, partir de valores que nem sequer são ainda considerados patológicos. Não existe um limiar, partir do qual se inicie o aumento de risco e portanto, quanto mais baixas forem glicémia ou tensão arterial, mais protegido está o organismo de problemas vasculares. Os cientistas que se debruçam sobre esta questão começam pois interrogar-se se prevenção destes problemas vasculares não deverá começar ser feita partir de níveis glicémicos de simples intolerância à glucose e de níveis tensionais no limiar da normalidade (borderline). Para poder fazê-lo seria necessário fazer o rastreio destas situações assintomáticas e iriamos certamente identificar também um grande número de diabéticos, até aí não diagnosticados. É aliás percepção do risco das situações bordeline, que tem levado à repetida revisão dos critérios de diagnóstico da diabetes, que têm vindo tornar-se cada vez mais rigorosos (vide critérios de diagnóstico IDF/OMS de 1999). O problema de qualquer rastreio, é de que uma vez feito o diagnóstico de novas situações, é obrigatória criação das correspondentes estruturas de atendimento. Só o Estado pode portanto decidir se se justifica fazer programas de rastreio e se existem os recursos necessários para depois atender os casos diagnosticados.

Vemos portanto que diabetes, pela amplitude do número de pessoas que atinge e pelas gravíssimas complicações que pode provocar, é um problema de que o Estado não pode alhear-se, sob risco de vir ter que resolver, breve trecho, problemas muito mais graves.

João Nunes Corrêa

 

 

 
© 2010 Sociedade Portuguesa de Diabetologia
Desenvolvido por Evolute