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Relatório de Actividade

Ano 2009/2010

RELATORIO de ACTIVIDADES da SOCIEDADE PORTUGUESA de DIABETOLOGIA no ano 2009/2010


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Como é viver com diabetes

Era um daqueles dias de Inverno em que chuva não pára, e ela foi buscar o seu irmão mais novo à escola, que era demasiado pequeno para ir sozinho para casa. Nessa altura estava passar uma fase em que só lhe apetecia comer coisas doces, o que era estranho, pois até então nunca tinha acontecido. sede de doces era seguida de uma grande sede de água e de constantes idas à casa de banho, o que não era normal no seu quotidiano. Algo de estranho se passava sem que ela se desse conta! Até que naquele dia chuvoso de Inverno, quando esperava que o irmão saísse da Escola algo de embaraçoso lhe aconteceu. Desesperada e sem saber o que fazer, permaneceu junto ao portão até que o irmão finalmente apareceu e juntos correram para casa, ela desfazer-se em lágrimas salgadas que se tornavam doces ao mesmo tempo que água da chuva lhe batia na face. Depois de idas ao médico, análises feitas disseram-lhe que era diabética. Na altura não sabia o que isso significava, mas logo aprendeu o que era diabetes. Habituou-se às análises, às picadas de insulina diárias, às doses de comida recomendadas, ao exercício físico que já praticava, todas as coisas importantes para que diabetes não fosse um problema na sua vida.
Só família, melhor amiga e os professores sabiam da sua diabetes, pois no caso de algo lhe acontecer saberiam o que fazer.

Um dia, na sua Escola houve festa, com direito bolo, celebrava-se o aniversário da sua professora de História, aquela pessoa de quem todos gostavam. Todos tiveram direito à sua fatia mas quando vez dela chegou e se levantou para ir buscar sua, professora em frente de toda turma disse "Tu és diabética não podes comer bolo". Ela que sabia que em dias especiais podia comer uma fatia de bolo sentiu-se como que despida em frente de todos os colegas. E questionou "Será que estas coisas acontecem por falta de informação"?
Este foi um episódio entre muitos outros que lhe ficaram na memória. sobremesa especialmente preparada para ela pelos avós ou amigos dos pais, em lugar de o sentir como um mimo tinha nela o efeito contrário, fazia-lhe lembrar que não devia comer certas coisas e isso fazia-a sentir-se descriminada.

O tempo passou e diabetes passou fazer parte da sua vida. Habituou-se viver com ela assim como as pessoas que com ela convivem. Ser diabética é ter uma vida tão normal como qualquer outra pessoa, comer com moderação, fazer exercício, divertir-se, tudo isto faz parte daquilo que qualquer ser humano deve fazer para ter uma vida saudável. Houve momentos em que as coisas não correram como deviam, houve uma negação da doença, deixou de fazer o controlo diário da glicémia, achava que isso não era necessário. Achava-se independente que não precisava de nada nem de ninguém. Mas como fazia visitas regulares ao seu médico e como ele conhecia muito bem tudo o que se passa com os adolescentes "adivinhou" o que se estava passar e foi graças esse grande amigo que chegou à conclusão que na vida somos todos dependentes de muitas coisas. Ser dependente da sua caneta de insulina, do seu estojo de controlo da glicémia, dos pacotes de acúçar que sempre acompanham e que abre sempre que necessita, deixou de ser um problema.

Hoje diabetes é uma coisa que está nela, não sente como uma ferida que arde ou dói quando lhe tocámos. Faz uma vida perfeitamente normal e aquelas lágrimas salgadas que lhe correram pela face, naquele dia de Inverno, deram lugar uma vida cheia de alegria...
Embora tenha havido um grande evolução na informação da Diabetes ao diabético, ainda há no comum das pessoas um grande desconhecimento. Para tal deveria haver mais informação sobre o que é diabetes, dirigida todos.
Uma vez que diabetes é uma doença crónica e que necessita de um controlo muito grande no que respeita à glicémia tudo o que fosse necessário para este controlo deveria ser totalmente comparticipado, pois isto trará uma melhor qualidade de vida.

Será que um dia o diabético poderá ir Farmácia e adquirir sua insulina e as tiras sem ter necessidade de uma receita?

Susana Barbosa

 

 

 
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