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Era um daqueles dias de Inverno em que chuva não pára,
e ela foi buscar o seu irmão mais novo à escola, que
era demasiado pequeno para ir sozinho para casa. Nessa altura estava
passar uma fase em que só lhe apetecia comer coisas doces,
o que era estranho, pois até então nunca tinha acontecido.
sede de doces era seguida de uma grande sede de água e de
constantes idas à casa de banho, o que não era normal
no seu quotidiano. Algo de estranho se passava sem que ela se desse
conta! Até que naquele dia chuvoso de Inverno, quando esperava
que o irmão saísse da Escola algo de embaraçoso
lhe aconteceu. Desesperada e sem saber o que fazer, permaneceu junto
ao portão até que o irmão finalmente apareceu
e juntos correram para casa, ela desfazer-se em lágrimas
salgadas que se tornavam doces ao mesmo tempo que água da
chuva lhe batia na face. Depois de idas ao médico, análises
feitas disseram-lhe que era diabética. Na altura não
sabia o que isso significava, mas logo aprendeu o que era diabetes.
Habituou-se às análises, às picadas de insulina
diárias, às doses de comida recomendadas, ao exercício
físico que já praticava, todas as coisas importantes
para que diabetes não fosse um problema na sua vida.
Só família, melhor amiga e os professores sabiam da
sua diabetes, pois no caso de algo lhe acontecer saberiam o que
fazer.
Um dia, na sua Escola houve festa, com direito bolo, celebrava-se
o aniversário da sua professora de História, aquela
pessoa de quem todos gostavam. Todos tiveram direito à sua
fatia mas quando vez dela chegou e se levantou para ir buscar sua,
professora em frente de toda turma disse "Tu és diabética
não podes comer bolo". Ela que sabia que em dias especiais
podia comer uma fatia de bolo sentiu-se como que despida em frente
de todos os colegas. E questionou "Será que estas coisas
acontecem por falta de informação"?
Este foi um episódio entre muitos outros que lhe ficaram
na memória. sobremesa especialmente preparada para ela pelos
avós ou amigos dos pais, em lugar de o sentir como um mimo
tinha nela o efeito contrário, fazia-lhe lembrar que não
devia comer certas coisas e isso fazia-a sentir-se descriminada.
O tempo passou e diabetes passou fazer parte da sua vida. Habituou-se
viver com ela assim como as pessoas que com ela convivem. Ser diabética
é ter uma vida tão normal como qualquer outra pessoa,
comer com moderação, fazer exercício, divertir-se,
tudo isto faz parte daquilo que qualquer ser humano deve fazer para
ter uma vida saudável. Houve momentos em que as coisas não
correram como deviam, houve uma negação da doença,
deixou de fazer o controlo diário da glicémia, achava
que isso não era necessário. Achava-se independente
que não precisava de nada nem de ninguém. Mas como
fazia visitas regulares ao seu médico e como ele conhecia
muito bem tudo o que se passa com os adolescentes "adivinhou"
o que se estava passar e foi graças esse grande amigo que
chegou à conclusão que na vida somos todos dependentes
de muitas coisas. Ser dependente da sua caneta de insulina, do seu
estojo de controlo da glicémia, dos pacotes de acúçar
que sempre acompanham e que abre sempre que necessita, deixou de
ser um problema.
Hoje diabetes é uma coisa que está nela, não
sente como uma ferida que arde ou dói quando lhe tocámos.
Faz uma vida perfeitamente normal e aquelas lágrimas salgadas
que lhe correram pela face, naquele dia de Inverno, deram lugar
uma vida cheia de alegria...
Embora tenha havido um grande evolução na informação
da Diabetes ao diabético, ainda há no comum das pessoas
um grande desconhecimento. Para tal deveria haver mais informação
sobre o que é diabetes, dirigida todos.
Uma vez que diabetes é uma doença crónica e
que necessita de um controlo muito grande no que respeita à
glicémia tudo o que fosse necessário para este controlo
deveria ser totalmente comparticipado, pois isto trará uma
melhor qualidade de vida.
Será que um dia o diabético poderá ir Farmácia
e adquirir sua insulina e as tiras sem ter necessidade de uma receita?
Susana Barbosa
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