Relatório de Actividade

Ano 2012

 

RELATóRIO de ACTIVIDADES da SOCIEDADE PORTUGUESA de DIABETOLOGIA do ano 2012

Pesquisar

Newsletter



Nº 4/00
Carta Nº4

Caros sócios

Desde que nos encontrámos em Fevereiro, no Funchal, não voltámos a contactar com todos os Associados, pelo que nos parece ser oportuno dar algumas notícias sobre as actividades que a Direcção tem vindo a desenvolver.
Como é do conhecimento geral, o IV Congresso Português de Diabetes saldou-se por um considerável sucesso. Apesar dos problemas que as deslocações de grande número de pessoas, num curto espaço de tempo, do continente para a Madeira, são susceptíveis de causar, a Comissão Organizadora resolveu-os da melhor maneira, tendo estado presentes cerca de 1000 participantes e 200 acompanhantes, além de convidados nacionais e estrangeiros. As sessões foram muito participadas e tiveram um alto nível científico.
A Direcção da Sociedade não quer deixar de manifestar a todos os membros da Comissão Organizadora, o seu grande apreço pelo enorme trabalho realizado e pela eficiência com que abordaram as numerosas dificuldades subjacentes à preparação de uma reunião desta magnitude. Quer ainda agradecer, a todos os palestrantes e moderadores, a sua contribuição para a grande qualidade atingida pela reunião.

No final do Congresso foram atribuídos prémios aos melhores trabalhos, seleccionados por Júris com membros de diferentes Centros do País. Foram distinguidos os seguintes trabalhos: "Expressão do CTLA-4 em doentes com DM tipo 1 (estudo do gene candidato)", colaboração do Instituto Gulbenkian de Ciência e da APDP; "Diabetes tipo 1: da genética complexa à biologia", também do IGC e APDP; "Repercussões maternas a curto e médio prazo da Diabetes Gestacional", dos Serviços de Endocrinologia e de Obstetrícia dos HUC e da Maternidade Bissaya Barreto; "Prevalência da retinopatia diabética numa população diabética (tipo 1 e tipo 2) pela retinografia", do Serviço de Medicina do Hospital de Portalegre; "A susceptibilidade genética à diabetes tipo 1: análise da região cromossómica 2q33 (genes candidatos CTLA-4/CD28)", do IGC e da APDP; "Programa de controlo da DM no Distrito de Viseu - resultados de 1998", do Centro de Saúde de Mangualde.

A nossa Sociedade atingiu recentemente o número de 660 sócios, sendo portanto uma das maiores Sociedades científicas do nosso País, o que deve constituir motivo de satisfação para todos nós. Este facto impõe-nos, no entanto, maiores responsabilidades, no sentido de estimular, entre todos os profissionais de Saúde, o interesse pela Diabetologia e pela melhoria dos cuidados prestados aos diabéticos. Esperamos que a nossa página na Internet, www.spd.pt, possa vir ser mais um instrumento nesse sentido.
Está aliás de parabéns a Diabetologia portuguesa, pela visita que acaba de fazer ao nosso País a Presidente da International Diabetes Federation, Maria de Alva. Deslocou-se a Portugal para tomar parte na inauguração das novas instalações da decana de todas as associações de diabéticos a nível mundial: a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal. Sua Excelência o Senhor Secretário de Estado da Saúde e outras autoridades, além de distintos representantes do meio médico português, tomaram parte nesta cerimónia, manifestando assim o seu empenhamento na luta contra a Diabetes.

Chegou-nos recentemente às mãos o programa do próximo Congresso da EASD (European Association for the Study of Diabetes), a mais prestigiosa reunião anual de Diabetologia, pelo seu nível científico e pelos seus rigorosos critérios de selecção. Mais uma vez, o desapontamento com a participação portuguesa (que se cifra num único trabalho entre cerca de 1100 aceites) é total. Nas últimas décadas, tinhamo-nos habituado a uma representação muito mais significativa da Diabetologia nacional.
Sabemos que esta grave situação não é específica da área, nem sequer da profissão, em que trabalhamos, traduzindo o preocupante atrazo da investigação no nosso País. Mas, dado que não há boa prática médica sem um mínimo de reflexão e de elaboração de trabalhos de análise técnica sobre aquilo que é feito na rotina do dia a dia, a nossa ansiedade relativamente ao futuro da medicina nacional e aos cuidados prestados aos nossos doentes, não pode deixar de ser grande.

Estamos certos, no entanto, de que se trata apenas de uma situação passageira e encorajamos todos os nossos associados a enviarem os seus trabalhos, não só para as reuniões locais, mas também para as internacionais, de modo a reintegrarmo-nos, a breve trecho, nos progressos da Diabetologia mundial. Com esse objectivo, a Sociedade está aberta a conceder bolsas, apoios para estágios ou outros estímulos a considerar oportunamente.
Como já anteriormente expresso, a Direcção gostaria de implementar a actividade de grupos de estudo, que se ocupassem de alguns dos phpectos mais impotantes da prática diabetológica, sobretudo daqueles em que tem havido recentes progressos ou modificações de conceitos. Nesse sentido contactámos os coordenadores de grupos que sabíamos terem sido criados anteriormente à vigência da presente Direcção. Das respostas que obtivemos verificámos que, por dificuldades várias, não tinha sido possível reunir grupos multicêntricos que tivessem produzido trabalhos (protocolos, consensos etc.) susceptíveis de ser apresentados ao plenário dos associados.

Pensamos, no entanto, que a actividade dos grupos de estudo é importante e que as dificuldades inerentes à implementação das necessárias reuniões (deslocações entre diferentes pontos do País etc.), podem ser contornadas, inclusivamente com o apoio da própria Sociedade. Teremos que ser, provavelmente, pouco ambiciosos de início, começando com um número restrito de grupos e de temas. Seria contudo desejável que os Colegas interessados em coordenar esses grupos nos contactassem, com os respectivos projectos, de modo a que esta actividade se inicie logo que possível e que os primeiros resultados possam ser apresentados na reunião anual da Sociedade, no início do próximo ano.

A Direcção planeia organizar esta reunião no último fim de semana de Março, em Tomar. O programa constará de uma sessão científica sobre agentes terapêuticos na Diabetes Mellitus, dos mais recentes aos mais antigos, de uma mesa redonda sobre a articulação entre cuidados primários e cuidados especializados no seguimento do diabético e, se possível, da apresentação das primeiras propostas dos grupos de trabalho, para além, obviamente, da Assembleia Geral. Pensamos que o programa será aliciante e fazemos votos de que esta reunião seja, novamente, um frutuoso ponto de encontro entre todos os nossos associados. Entretanto, fazemos votos pela continuação de um excelente ano de trabalho.

2000
João Nunes Corrêa