Relatório de Actividade

Ano 2012

 

RELATóRIO de ACTIVIDADES da SOCIEDADE PORTUGUESA de DIABETOLOGIA do ano 2012

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Parecer Sociedade Portuguesa de Diabetologia (autovigilância)

Considera a SPD que os estudos que não têm demonstrado evidência clara do benefício da autovigilância glicémica nalgumas situações de Diabetes tipo 2, nomeadamente nas situações de terapêutica oral ou nas situações sem terapêutica, não são indicativos de que a autovigilância glicémica seja dispensável nestas populações. Com efeito, e na nossa perspectiva, estudos relacionando autovigilância com controlo da diabetes ou complicações sofrem de algumas limitações que passamos a referir:

Independentemente das limitações e inconsistências metodológicas dos próprios estudos e que abundam, existem considerações de ordem clínica que gostaríamos de realçar:

    Em 1º lugar, a autovigilância glicémica é um meio auxiliar de vigilância que por si só não tem influência directa no controlo da diabetes ou das suas complicações. É um meio intermediário, facilitador do autocontrolo do doente e, portanto, um poderoso auxiliar na educação terapêutica e é um instrumento fundamental na prática clínica para orientar a atitude terapêutica medicamentosa pelo médico assistente.

São a terapêutica medicamentosa e o estilo de vida que influem directamente no controlo metabólico e não a autovigilância glicémica, por si.

Assim, a existir uma ausência de resultados, esta dever-se-á a uma menor eficácia na utilização do meio auxiliar (autovigilância glicémica) pelos intervenientes (médico ou doente) e não a uma insuficiência do método em si.

    Em 2º lugar, na população de diabéticos tipo 2 tratados com ADO o risco de hipoglicemia iatrogénica é significativo e é causa de morbilidade acrescida, sendo que a auto-vigilância glicémica é imprescindível como método preventivo desta grave complicação da terapêutica.

    Em 3º lugar, na população com diabetes tipo 2 não medicada com ADO, encontram-se situações intermediárias em que a intervenção terapêutica pode vir a ser necessária. Aqui, a autovigilância glicémica funciona como factor de autocontrolo importante, educativo e preventivo. A frequência com que se exerce esta autovigilância, nestes casos, é habitualmente baixa e, até intermitente ou periódica. A autovigilância glicémica é uma manobra para a maioria das pessoas incómoda e, mesmo, dolorosa pelo que não são habituais consumos excessivos nesta população.

Em termos mais genéricos, pode-se mesmo afirmar que a autovigilância glicémica irá tendencialmente aumentar na população de pessoas com diabetes tipo 2 ou mesmo numa fase de pré-diabetes. Com efeito, a principal causa de morbilidade, mortalidade e custos para o SNS na Diabetes tipo 2 relaciona-se com a Doença cardiovascular.

Estudos observacionais vários (Decode, Paris Prospective Study, Hoorn etc...) têm demonstrado uma associação significativa entre a doença cardiovascular e a glicemia pós-prandial. Esta associação é, inclusive, mais evidente do que com os níveis de hemoglobina glicada. Embora não exista ainda evidência de que uma intervenção terapêutica sobre as glicemias pós-prandiais venham a reduzir a incidência de doença cardiovascular na população referida (existem estudos prospectivos em curso) é já advogada por diversas entidade científicas (entre elas, a própria SPD) a autovigilância glicémica pós-prandial na Diabetes tipo2 nas fases iniciais do seu desenvolvimento.

A SPD concorda, na generalidade,  com as recentes «Guidelines» da IDF e as recomendações quanto à auto-vigilância glicémica ( Standard-Care) publicadas recentemente. (Global Guideline for type 2 Diabetes pp.32-34).

A SPD está na disposição de participar num grupo de trabalho sobre autovigilância com o intuito de discutir e divulgar “Recomendações para a Autovigilância Glicémica para a Diabetes” pois é nossa forte convicção que a utilidade e eficácia da autovigilância glicémica reside na forma como esta é utilizada e prescrita e não no método em si.

Para melhor conhecimento da realidade portuguesa, seria da máxima utilidade a partir de dados da DGS e IGIF realizar um cálculo quanto ao consumo de tiras de glicemias /ano per capita de diabéticos conhecidos.

Assim é parecer da SPD que:

  1. Nas pessoas com diabetes tipo2 deve ser mantido o tipo de comparticipação actual.

  2. Nos casos especificados de Diabéticos tipo 1 e tipo 2 insulino-tratados, tendo em conta os benefícios comprovados da auto-vigilância glicémica nestas pessoas, deve ser facilitada ainda mais a comparticipação em certos grupos como crianças e jovens, grávidas e idosos (com pensões mínimas).

  3. As tiras de cetonémia devem ser comparticipadas de forma idêntica às de glicémia.

  4. A eventual retirada da comparticipação nas tiras de glicosúria não deve implicar, nesta fase, a retirada da comparticipação das tiras de cetonúria.