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Terapêutica Infusora Subcutânea Continua...

DOCUMENTO DE TRABALHO PARA DISCUSSÃO

NA COMISSÃO DE COORDENAÇÃO

DO PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLO DA DIABETES

21/5/2004

 

Terapêutica Infusora Subcutânea Continua com Insulina na Diabetes (CSII) ou Terapêutica por Bombas Infusoras de Insulina

 

  1. A terapêutica com bomba infusora de insulina (CSII) é, actualmente, o standard mais elevado no tratamento subcutâneo com insulina nas pessoas com Diabetes

  2. A terapêutica com bombas infusoras de insulina, nas pessoas com diabetes tipo 1, constitui uma opção de terapêutica intensiva com indicações muito precisas.

  3. Este método, mais dispendioso do que o das múltiplas administrações de insulina, devido ao custo da bomba infusora e, sobretudo, ao dos consumíveis necessários, torna obrigatória a seguinte definição das indicações para a sua utilização:

  1. Controlo metabólico não aceitável em doentes a fazer insulinoterapia intensiva com múltiplas administrações de insulina (pelo menos 3 a 4 injecções/dia) incluindo, se apropriado e disponível, insulina glargina ou outra com idêntico perfil farmacocinético, definidos como:

    1. HbA1c> 7% apesar de terapêutica intensiva;

    2. Fenómeno de Dawn com níveis de glicemia>140-160 mg/dL (8-9 mmol/L);

    3. Acentuada variabilidade diária nos níveis de glicemia;

      1. História de hipoglicemia sem pródromos (hypoglycemic unawareness) ou hipoglicemias severas frequentes;

      2. Necessidade de flexibilidade no estilo de vida (ex. turnos, viagens frequentes entre vários fusos horários);

      3. Gravidez (ou planeamento da gravidez).

  1. Estas indicações são, também, aplicáveis a crianças e adolescentes.

  2. A terapêutica por CSII implica da parte das pessoas com diabetes tipo 1 e seus familiares no caso das crianças, motivação, prática de automonitorização da glicemia capilar e competência para a sua utilização de forma satisfatória

  3. A terapêutica por CSII é, apenas, possível em condições organizacionais em que existe experiência com este tipo de terapêutica.

  4. Significa, na prática, que o “centro provedor” deste serviço deve ter, pelo menos, 10 pacientes neste tipo de tratamento, para manter a capacidade em recursos profissionais treinados (médicos, enfermeiros, nutricionistas/dietistas) e uma boa relação custo-efectividade.

  5. Cada “centro provedor” deverá ter um protocolo escrito de actuação para situações de emergência e/ou problemas técnicos a que deverá poder responder 24h/dia.

  6. Ao ser iniciado este esquema organizativo, onde virtualmente não existe experiência prévia, deverá ser obrigatório um programa de treino para os profissionais dos “centros provedores” que se candidatem a este tipo de tratamento.

  7. O programa de treino deverá conter pelo menos:

  1. Treino teórico baseado na história, indicações, prós e contras da terapêutica.

  2. Treino prático, para profissionais médicos, no processo de terapia com CSII, no uso das bombas e cálculo das doses basais e bolus.

  1. Treino prático, para profissionais de enfermagem, sobre uso das bombas (ex. problemas técnicos), consumíveis (ex. cateteres e agulhas) e educação terapêutica dos diabéticos sob este tipo de terapêutica.

  2. Treino prático dos profissionais em regime de chamada ou de urgência, para situações de emergência.

  3. O treino deverá ocorrer por um período máximo de 5 dias úteis

  1. O “centro provedor”, quando implementado, deverá manter, de forma contínua, uma equipa terapêutica, devidamente identificada, responsável pela decisão do início da terapêutica, a qual deve ser consultada sempre que haja uma proposta deste tipo de terapêutica.

  2. O “centro provedor”, sempre que possível deverá estar equipado com aparelhos de monitorização contínua da glecemia, ter experiência com a técnica e sua aplicação, com vista à prescrição inicial da dose de insulina e seu progressivo ajuste com vista à optimização da terapêutica

  3. O “centro provedor” deverá, também, possuir um registo onde conste todos os diabéticos tipo 1 a fazer CSII, o tipo de bomba, cateter e de insulina utilizadas, que possa ser consultado pelos profissionais (médicos e enfermeiros) em regime de urgência interna e externa (chamada e/ou presença física).

  4. O “centro provedor” deverá, ainda, providenciar a revisão anual do da funcionalidade técnica e utilização da bomba, de todos os doentes, para monitorização de eventual necessidade de substituição, assim como a de todos os tipos de bomba (CSII) disponíveis no centro, com os respectivos manuais de instrução.

  5. O ajuste da dose de insulina (basal/bolus) deve ser efectuado, de forma progressiva, pela pessoa com diabetes, com adequada educação terapêutica através da automonitorização intensiva das glicemias capilares..

  6. A eventual proposta à Tutela da implementação da terapêutica intensiva com bombas infusoras de insulina implica a criação, no âmbito da Comissão, de um sub-grupo de trabalho que elabore, no prazo de três meses, relatório onde conste:
    1. cálculo do impacto financeiro anual da medida;

    2. definição de preços, métodos e circuitos de aquisição;

    3. definição de modelo e taxa de comparticipação por parte do Serviço Nacional de Saúde.