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7. Novidades da literatura mÉdica sobre diabetes:
a. Empafliflozina e risco cardiovascular.
No passado congresso da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes (EASD) e, posteriormente, no New England Journal of Medicine, foram apresentados os resultados do primeiro estudo de outcomes cardiovasculares com inibidores do cotransporte de sódio e glicose: o EMPA-REG OUTCOME. Neste estudo, a terapêutica com empagliflozina induziu uma marcada e significativa redução (de 14%) no end-point primário (constituído pelo compósito de morte cardiovascular, enfarte agudo do miocárdio não fatal e AVC não fatal) à custa de uma redução de 38% na morte de causa cardiovascular. (Empagliflozin, Cardiovascular Outcomes, and Mortality in Type 2 Diabetes. N Engl J Med 2015;373(22):2117-28);
b. Uso de antibióticos e risco de diabetes tipo 2.
Um estudo, levado a cabo com recurso a 3 bases de dados dinamarquesas, encontrou um risco acrescido (na ordem dos 53%) para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 entre os indivíduos a quem, no passado, tinha sido prescrito medicação antibiótica. Os autores presumiram que este acréscimo de risco estivesse na dependência da alteração na microflora intestinal induzida por aquela medicação. (Use of Antibiotics and Risk of Type 2 Diabetes: A Population-Based Case-Control Study. J Clin Endocrinol Metab 2015;100(10):3633-40);
c. Efeito do uso de antibióticos sobre a microflora intestinal, as hormonas intestinais e o metabolismo da glicose.
O primeiro autor do artigo anterior, em colaboração com o grupo do Prof. Jens Holst, procurou avaliar o efeito do uso de antibioterapia, a curto prazo. Para tal, recorreu à administração de gentamicina, vancomicina e meropenem a indivíduos saudáveis, durante 4 dias. Embora fosse identificada uma alteração na microflora intestinal, ao fim de 6 semanas, não foram identificadas alterações no metabolismo dos hidratos de carbono. Contudo, foi evidente um aumento pós-prandial do péptido YY. (Effect of Antibiotics on Gut Microbiota, Gut Hormones and Glucose Metabolism. PLoS One 2015;10(11):e0142352);
d. Interferência do paracetamol na monitorização contínua da glicose.
Um artigo da revista Diabetes Care de outubro de 2015, dá nota da influência da toma do paracetamol (na dose de 1.000 mg) sobre a monitorização contínua da glicose. Esse efeito (que é mais significativo cerca de 2 horas após a toma) pode traduzir-se em valores, falsamente, mais elevados e que podem atingir os 61mg/dl acima do real valor. (Effect of acetaminophen on CGM glucose in an outpatient setting. Diabetes Care 2015;38(10):e158-9);
e. Tabagismo e risco de diabetes tipo 2.
A revista Lancet Diabetes & Endocrinology publicou uma meta-análise que encontrou uma relação entre a presença de hábitos tabágicos e o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2. Esse acréscimo de risco era dependente do grau de tabagismo: +21% para hábitos tabágicos ligeiros, +34% se moderados e +57% se pesados. Esta meta-análise, reportando-se a perto de 6 milhões de indivíduos, atribui ao tabagismo cerca de 2,4% dos casos de diabetes tipo 2 no sexo feminino e de 11,7% no sexo masculino. (Relation of ative, passive, and quitting smoking with incident type 2 diabetes: a systematic review and meta-analysis. Lancet Diabetes Endocrinol 2015;3(12):958-67).
f. Influência dos hábitos tabágicos sobre a mortalidade e os eventos cardiovasculares em pessoas com diabetes tipo 2.
Os mesmos autores do artigo anterior publicaram uma outra meta-análise que evidenciou uma influência dos hábitos tabágicos no aumento da mortalidade geral, em 55% e da morte por causa cardiovascular, em 49% das pessoas com diabetes tipo 2. Nesta população, o tabagismo estava associado a um aumento de 44% para toda a doença cardiovascular, 51% para doença coronária isquémica, 54% para AVC, 115% (!!!) para doença arterial periférica e 43% para insuficiência cardíaca. Esse acréscimo de risco reduzia após a paragem dos hábitos tabágicos. (Relation of Smoking With Total Mortality and Cardiovascular Events Among Patients With Diabetes Mellitus: A Meta-Analysis and Systematic Review. Circulation 2015;132(19):1795-80).
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