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Introdução

Hoje, como a maioria das doenças agudas estão sob controlo das práticas médicas, as abordagens relacionadas com a saúde parecem orientar-se mais para as doenças crónicas, procurando manter a vida com o máximo de dignidade e qualidade. Caminha-se com ênfase para uma perspectiva mais abrangente da saúde baseada no bem estar e na qualidade de vida e não só dirigido para a doença.

De facto, a percepção que a pessoa tem do seu estado de saúde, vem sendo considerada como coadjuvante de indicadores tradicionais na avaliação de necessidades em saúde, considerando-se que as complexas interacções físicas, emocionais e sociais estão implicadas no desenvolvimento das doenças e influenciam os resultados obtidos com tratamentos.

Neste contexto enquadra-se a Diabetes Mellitus que, sendo uma doença crónica, requer educação e cuidados de saúde contínuos para prevenção de complicações agudas e redução do risco de complicações tardias, mantendo assim a qualidade de vida. Não deve ser só estudada numa perspectiva clínica mas também deve englobar phpectos sociais do impacto da doença. Como hoje se sabe, é muito importante que qualquer estudo ligue não só dados clínicos, mas também o seu impacto no estado físico e mental e no desempenho social e profissional da pessoa com Diabetes Mellitus.

A operacionalização e gestão integrada do Programa de Controlo da Diabetes que está enquadrado nas opções fundamentais da estratégia de saúde para o virar do século, 1998-2002, visa a obtenção de ganhos em saúde, o aumento da esperança e Qualidade de Vida da pessoa com diabetes e a redução das complicações causadas pela doença.

A qualidade de vida é um conceito que abrange uma larga série de características físicas e psicológicas e durante as duas últimas décadas tem surgido como um atributo importante na investigação clínica e nos cuidados aos doentes. A avaliação dos cuidados em saúde está cada vez mais dirigida para as medições de qualidade de vida específica de doença, de acordo com o ponto de vista dos doentes. Os questionários de qualidade de vida tem sido introduzidos nas pesquisas clínicas para poder medir problemas que interferem no bem estar e no estilo de vida dos doentes. Eles tem progressivamente ocupado um espaço cada vez mais importante como medidas efectivas para avaliação de grupos de doentes, eficácia medicamentosa e caracterização geral das populações estudadas.

Em Portugal já se dispõe de uma medida de qualidade de vida específica para pessoas com diabetes, pelo que parece importante aplicá-la num contexto mais alargado a nível de todo o país, como uma medida que forneça com pormenor aquilo que muitas vezes escapa às medidas de carácter mais geral. No dia a dia, ao contactar com pessoas com diabetes de todas as idades, mas especialmente adolescentes e adultos, verifica-se que, apesar do esforço dos profissionais de saúde para os levar a aderir ao tratamento, nem sempre se conseguem os melhores resultados. Por outro lado, no nosso país não se conhece nenhuma medida de qualidade de vida integrada no processo clínico de cada doente diabético. Neste contexto, além dos parâmetros biológicos, é importante a percepção da qualidade de vida da população com diabetes.

A avaliação da qualidade de vida pode providenciar informação valiosa acerca do funcionamento físico, mental e social do indivíduo e pode ser usada para complementar as medidas clínicas nos cuidados ao doente.

Muitos autores acreditam que os doentes, os prestadores, os investigadores e os decisores serão melhor servidos, quando a importância da relação entre qualidade de vida e as variáveis de saúde relacionadas com essa mesma qualidade forem bem reconhecidas, devendo estas ser utilizadas na investigação, prática clínica e tomada de decisão política.

Assim, um grupo um grupo de prestadores de cuidados de saúde sentem vontade de elaborar um estudo na área da qualidade tendo como principal objectivo avaliar a percepção da qualidade de vida relacionada com a saúde em pessoas com Diabetes Mellitus. Ainda se encontra na fase do desenho do estudo, pois é fundamental que se defina o modelo de investigação a adoptar, assim como quais são os objectivos a alcançar.